Cada porta deixa digitais
Espete o pendrive num PC com Windows e o sistema começa a escrever nele na hora: miniaturas para o Explorador, uma pasta $RECYCLE.BIN na primeira exclusão e — em algumas máquinas — System Volume Information, capaz de engolir em silêncio centenas de megas de um drive pequeno. Um Mac deixa .DS_Store em cada pasta que você abriu, arquivos ._ de resource forks escondidos para cada documento e uma pasta .Trashes própria. As distros Linux largam pastas .Trash e .Trash-1000, e cada passada de chkdsk ou fsck num sistema de arquivos doente deixa pastas found.000 cheias de fragmentos de cadeias recuperadas. Nada disso aparece por padrão, porque tudo está oculto, marcado como sistema ou começa com um ponto — então um pendrive que você carrega há anos transporta a história de cada mesa em que pousou.
Os suspeitos de sempre, arquivo por arquivo
Antes de apagar, vale saber o que você está vendo: parte desses arquivos volta na hora e um deles merece atenção por causa da privacidade. A lista cobre, na prática, tudo o que um pendrive viajado acumula. Nenhum item é necessário para os seus documentos.
- Thumbs.db: o banco de miniaturas do Windows para pastas de fotos — dá para apagar, o Windows recria na próxima vez que alguém olhar
- .DS_Store e arquivos ._: configurações de pasta e resource forks do macOS — lixo puro em qualquer máquina não-Apple, sempre seguro de remover
- desktop.ini: personalização de pastas do Windows — minúsculo, inofensivo, e volta assim que o Windows se interessa
- System Volume Information: dados de indexação e cópias de sombra que o Windows às vezes estaciona em drives removíveis — a maior surpresa em pendrives pequenos
- $RECYCLE.BIN: uma lixeira oculta que o pendrive carrega entre computadores — o apagado fica no drive até esvaziá-la
- found.000 e cia: cadeias de arquivos órfãs recolhidas pelo chkdsk — normalmente lixo ilegível, às vezes a única cópia de algo perdido
Regras de higiene que colam
Primeira: ejete antes de puxar — um pendrive arrancado no meio de uma gravação é o caminho direto para um sistema de arquivos corrompido, e é exatamente daí que nascem as pastas found.000. Segunda: nunca guarde a única cópia de alguma coisa num dispositivo que cabe no bolso e sobrevive à máquina de lavar por pura sorte. Terceira: limpe o drive antes de emprestar — Thumbs.db e .DS_Store carregam nomes de pastas e arquivos, o $RECYCLE.BIN carrega os próprios arquivos, e tudo isso se lê com qualquer ferramenta de recuperação. Quando o pendrive muda de dono para sempre, esqueça a limpeza arquivo por arquivo: formatação completa, ou melhor ainda, apagar a partição inteira. E para pendrives que vivem entre Windows e Mac, exFAT é a única escolha sensata de sistema de arquivos — todo o resto está ultrapassado ou fica somente leitura numa das duas plataformas.
Perguntas e respostas
Posso apagar a pasta System Volume Information do pendrive?
Pode — num drive removível ela é só resto de indexação e de cópias de sombra, e o Windows recria apenas o que precisa. Seus arquivos não são tocados.
Por que tem uma pasta $RECYCLE.BIN no meu pendrive?
O Windows a criou quando você apagou algo com o pendrive espetado, e o apagado continua no drive até a lixeira ser esvaziada. Apagar a pasta diretamente também resolve.
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